sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O espaço dos artistas de rua em algumas cidades da Europa e em São Paulo

Em tempos em que os artistas de rua no Brasil se organizam para reivindicar o direito ao trabalho no espaço público, gostaríamos de compartilhar aqui, no blog de nossa companhia, algumas experiências vividas por nós entre junho e julho por algumas cidades da Europa. Antes de nossa viagem, perguntamos a algumas pessoas sobre como era o uso do espaço público, pelos artistas, nas cidades que visitaríamos: Roma, Florença, Veneza e Paris. As pessoas não sabiam nos dizer se era preciso uma licença especial para apresentações nas ruas. Então, decidimos verificar, "in loco", como as coisas se dariam.
Na Piazza Navona, em Roma, nos deparamos com um lugar repleto de apresentações. É um território demarcado por grupos de artistas que já têm um horário e espaço definido para suas apresentações. Nossa negociação "por um lugar ao sol" foi à frente de um restaurante que, gentilmente, nos permitiu levar nosso Homem-banda brasileiro à capital italiana.
Em Florença, museu ao ar livre, encontramos músicos que se apresentam sempre no mesmo local, com uma licença específica e horários demarcados para os diferentes grupos. Um comerciante que estava em sua barraca de bolsas, cintos e afins, logo demonstrou seu apreço pelo Homem-banda e, em seguida, sua nacionalidade: era brasileiro, como muitos dos camelôs que lá atuam. Ele nos disse que, se a polícia encontrasse o Homem-banda pela frente, pediria para andar, não estabelecendo assim um ponto fixo e não o impediria de fazer seu trabalho. Ou seja, seria preciso acoplar ao sax uma espécie de coletor de moedas para acolher a contribuição que o público sempre oferece.
Em Veneza, a situação é bem diferente. Tudo é bem mais regulado. A dona do hostel onde nos hospedamos informou-nos que só é permitido realizar apresentações com autorização prévia.
Já em Paris, reina a liberdade. Os artistas ocupam praças, pontes, parques, ruas, escadarias à beira do Sena, fazendo com que a cidade realmente se torne sempre festiva. Nos trens e metrôs vimos artistas com autorização em pontos fixos e sem ela, circulando pelos espaços.
Aqui no Brasil, especificamente em SP, sempre precisamos de autorizações e papéis para nos expressarmos em ruas, parques e praças. Entendemos que algumas precauções são necessárias numa cidade tão caótica como a nossa. No entanto, é preciso dar voz, vez e espaço aos artistas que tanto nos ajudam a viver no caos.

O espaço dos artistas de rua